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Sexta,
5 de março de 2004, 19h04
Kurt Cobain recebe
homenagem em Manhattan
Dez anos após a morte de Kurt
Cobain, em 1994, um novo videoclipe do Nirvana acaba de ser lançado. O vídeo,
no entanto, não está disponível na MTV. Na realidade, aquele que canta não
Kurt Cobain e a banda também não é o Nirvana.
O vídeo traz um homem
vestindo um casaco de lã cinza e camiseta do Sonic Youth, com os cabelos
desgrenhados caindo no rosto, vociferando os versos de Negative Creep.
A imagem granulada e
distorcida em Super 8 dá a impressão de ser de um show filmado ao vivo, mas não
há platéia presente.
O que está sendo exibido
repetidas vezes numa salinha escurecida no bairro de Chelsea, em Manhattan, é
uma instalação intitulada Stones & Dethroned, do artista Slater
Bradley. Manhattan Ele vestiu seu "alter ego" Benjamin Brock como
Cobain, o colocou em cima do palco com uma guitarra e uma "banda" e
chamou a performance, que cria um falso Nirvana, de Phantom Release. Em
letra pequena e quase apagada, o filme é dedicado a "Kurdt".
Desnecessário dizer,
Bradley, natural de San Francisco, não é um simples fã do Nirvana. Ele é
adorador da banda e transformou esse sentimento em arte performática. Aliás, o
resto da instalação traz fotos de Brock no papel de Cobain.
"O Nirvana explodiu
enquanto eu estava no colégio", ele conta. "Kurt era nosso ídolo. Eu
vivia uma vida tão protegida que nem sequer sabia como me vestir quando não
estava de uniforme escolar. Cobain era o que eu queria ser. Ele me ensinou a
viver."
O trabalho de Bradley também
será apresentado na Bienal Whitney, em Nova York, em abril. Ali, Theory and
Observation ficará ao lado de um coral infantil de Paris da catedral de
Notre Dame, com trilha sonora dos The Replikants.
Mas o projeto de falsos vídeos
não terá chegado ao fim. Antes de Kurt Cobain, Bradley e Brock já tinham
criado outro filme "com" o falecido Ian Curtis, do Joy Division.
O terceiro artista sobre o
qual eles querem trabalhar será um projeto que, segundo Bradley, "expande
as fronteiras da identidade e da representação": Michael Jackson.
"As peças sobre Joy
Division e Nirvana constituem as primeira e segunda partes de uma trilogia do
alter ego de roqueiros decadentes", diz Bradley.
"Acho que a música é
a forma mais poderosa de expressão artística, e é por isso que a utilizo em
meu trabalho."
Por enquanto, o vídeo só
poderá ser visto até 27 de março na galeria Team, em Manhattan. Ele é
exibido 194 vezes por dia, como observa o jovem de aparência grunge sentado
diante de uma mesa a alguns metros da tela. "Fiz as contas", ele
explica.
fonte: Reuters
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www.kurtcobain.com.br