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Sexta,
13 de fevereiro de 2004, 13h38
Courtney Love divide
seus dramas com o público
Courtney Love
desenvolveu o vício de tornar públicos seus problemas pessoais. A cantora e
atriz virou notícia novamente ao telefonar para o programa de rádio de Howard
Stern, mas sua vontade de dividir os próprios dramas com fãs e imprensa vai
muito mais além.
O novo disco, America's
Sweetheart, é uma ode à intimidade da roqueira, com o videoclipe de Mono
traduzindo em imagens a experiência do que é ser Courtney Love. Ela também
está atualmente planejando o lançamento de um livro com trechos de diários
escritos desde os tempos de adolescência. Courtney fez declarações
semi-incoerentes em uma ligação aparentemente não planejada ao programa de rádio
de Stern, esta semana. Ela é conhecida por telefonar para jornalistas e
principalmente por deixar recados alarmantes ou até ameaçadores em secretárias
eletrônicas.
Ela já fez o mesmo com um
repórter do International Herald Tribune e o cineasta Nick Broomfield, que foi
processado pela cantora quando fez o documentário Kurt & Courtney, nos anos
90, que levanta as suspeitas de que Love estaria por trás de um suposto
assassinato de Kurt Cobain.
A cantora recusa-se a
colaborar com propostas de terceiros e gosta de ter controle de suas
entrevistas. Na metade dos anos 90, até tentou ter controle da própria imagem,
algo que, a julgar pelas recentes aparições desgrenhadas no tribunal da Califórnia,
obviamente ficou para trás. Mas Love acha que deve explicações para o mundo
¿ aparentemente para os fãs e os críticos.
Assim, o mesmo agente literário
que fechou um negócio de milhões de dólares para o lançamento dos diários
de Cobain está tentando vender Love Diaries: My Life in Words and Pictures, que
teria 250 páginas incluindo cartas de amor da roqueira para o marido, fotos da
família, letras inéditas, documentos das temporadas dela em centros de detenção
juvenis, flyers dos primeiros shows do Hole, desenhos de roupas feitos pela própria
e assim por diante. O livro seria finalizado em abril e publicado no segundo
semestre.
O maior livro aberto sobre
a vida da cantora até o momento é o disco America's Sweetheart, seu recém-lançado
primeiro trabalho-solo. No álbum, ela reacende uma velha briga com Julian
Casablancas, o líder do Strokes (na faixa But Julian, I¿m a Little Older Than
You, algo como "Mas, Julian, eu sou um pouco mais velha que você).
Em Sunset Strip, ela admite
que usa drogas porque está entediada, porque é famosa e porque "você
morreu" (supostamente Cobain). Em Mono, o primeiro single do disco, ela
diz: "Dizem que o rock morreu e provavelmente é verdade."
O videoclipe da música
oferece uma visão fantástica do que Courtney Love acha que é ser Courtney
Love. Ela é perseguida por fotógrafos e pela polícia nas ruas de Los Angeles,
depois de esculhambar um supermercado. Ela "dá cria" a mini-Courtneys,
assusta vizinhanças familiares e mergulha em um mundo próprio que fica dentro
de um sofá. Soa familiar?
Se Love é obcecada em
viver a intimidade em público, os Estados Unidos cada vez mais têm uma relação
de amor e ódio com uma das últimas roqueiras a conseguir espaço no mainstream.
Em uma época em que o
peito de Janet Jackson vira motivo de discussão no senado americano, a existência
de Love, com todos os seus problemas, parece trazer esperança para o público não-conservador
- ao mesmo tempo que serve de motivo para grupos de direita empurrarem propostas
de censura na mídia do país.
fonte: Reuters
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